chacalog


FOGO FÁTUO

ela é uma mina versátil

o seu mal é ser muito volúvel

apesar do seu jeito volátil

nosso caso anda meio insolúvel

 

se ela veste seu manto diáfano

sai de noite e só volta de dia

eu escuto os cantores de ébano

e espero ela chegar da orgia

 

ela pensa que eu sou fogo fátuo

que me esquenta em banho maria

se eu explodo sou pior que o átomo

ainda afogo essa nega na pia

NARIZ ANIZ 79

 



Escrito por chacal às 22h14
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 Preto-branco-homem-anjo

.

 Michael, meu amigo

 Por você toco meu banjo

 animou essa vidinha

 foi  embora virou anjo

.

 você que deu para todos

 tantas vezes devorado

 só por que quis uns meninos

 foi  pelos homens condenado

.

 hoje, meu deus, que triste !

 é  dia do seu obituário

 eu te saúdo o verso em riste

 versão viva do imaginário

.

 agora com certeza a mídia falará

 de michael Jackson, o homem

 enquanto no céu os anjos gritam

 por favor, são michael, me come !  

.

chacal. 25.06.09



Escrito por chacal às 07h48
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Good bye, Mr. Jacko

 

Morreu Michael Jackson. Morreu não. Transcendeu. Um desenho animado não morre. Michel, o dígito um. Expressão máxima dessa era entre o ser e o que parece. Aparece desaparecendo. Desaparecendo, aparece. O cara  que mudou de cara e de cor. Mudou também seu registro. Humano não mais. Um mutante. Perfeito. Soube como ninguém andar pra trás. Comeu e deu de comer aos caras pálidas. Tanto quis que se tornou sua própria imago. Peter Pan na Terra do Nunca. Aquele que não deve envelhecer. Michel, meu chapa, deus de todas as formas, tanto fez que se tornou no que bem quis. Aprendiz de feiticeiro. O mais puro mandingueiro. Dançou. Andou pra trás. Transcendeu. Agora é um fantasma. Pluft forever. Durma em paz, Mr. Jacko.

 



Escrito por chacal às 07h42
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ele & ela

.

.

ela quer ir ao cinema

ele já viu esse filme

ela quer um vestidinho

ele o que vai por baixo

.

ela pensa no futuro

ele entoca o bagulho

ela acredita no amor

ele reclama do calor

.

 ela descabela com o desprezo

ele se penteia com arrogância

ela diz que ele sonha acordado

ele sonha com ela no escuro

.

 ela acha ele tarado

ele coloca ela de lado

ela diz que ele é um número

ele prefere ela de quatro

.

 ela morre de ciúmes

ele não vê nenhum motivo

ela mostra a foto do flagrante

ele diz que com ele é semelhante

.

 ela diz que corta os pulsos

ele apresenta uma gilete

ela chora

ele é duro

.

.

.

.

chacal (comício de tudo / 86)

poema musicado por mimi lessa

    



Escrito por chacal às 16h08
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RUAS

 

há meio século

ando pelas ruas

há cinquenta anos

cruzo rio brasília

londres são paulo

cidade do méxico lisboa

amsterdan nova york

a pé

 

mix

de finalidade interior

e casualidade exterior

tudo me interessa

 

os olhos

não usam viseira

nem os ouvidos

capota

o nariz

eu trago atento

o tato

bem apurado

 

absorvo impressões

de outros

que caminharam

por mim

em minha caminhada

pelos outros

 

paisagens

urbanas

suburbanas

superurbanas

me constroem

o tempo todo

em que eu

ando e paro

paro e ando

reparando

do que é feito

o conteúdo

da caixa preta

do planeta

.

.

.

chacal / a vida é curta pra ser pequena (2002) 



Escrito por chacal às 17h43
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  cafuné punk 

                                                    para miss sagu

espremer cravos:

tara de mulher.

sou um plástico bolha

ora bolas

me espreme

que eu gosto.



Escrito por chacal às 09h22
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*

*

*

ela chega

me pega

me agarra

me aperta

me espreme

como cravo

deixo em

sua mão

meu mel

viscoso

sim eu

sou dela

eu sou seu

ex-cravo

.

.

.

sp.10.06.09

chacal



Escrito por chacal às 21h53
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sou um homem feliz às margens da rua augusta. escrevo um livro sobre minhas vitórias e derrotas. mergulho no passado. mas só penso no presente. espero como um cachorro você "enfiar a chave na fechadura da porta" * e chegar em casa para me pegar. para eu te pegar. e se enroscar noite afora vida adentro... sou um homem feliz entre a paulista e a augusta.

* real grandeza (waly / macalé)



Escrito por chacal às 18h07
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murundum 

                          (p/ miss sagu)

.

. 

no murundum das cobertas

eu e meu amor.

enroscados um no outro.

vinhozinho, café quente

pão com passa e castanha.

é junho em são paulo

meu coração se rejubila.

vale a pena ser poeta.

.

.

 

.

.

no murundum das cobertas

eu e meu amor.

escrever pra que ?

para manter meu amor

no murundum das cobertas

.

.

.

. 

junho em são paulo

fomos vistos

um pelo outro

embriagados

embevecidos

detalhe:

cantando roberto

aos berros

num videokê

na liberdade

.

.

chacal / são paulo / 09.06.09

 



Escrito por chacal às 08h23
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desperta !

 

viver a aridez

nada de chuva

nada de sonho

desperta deserto !

nunca mais olharcoíris

nunca mais ninar nominhos

desperta deserto !

não ouvir mais plenilúnios

não querer qualquer convívio

desperta deserto !

                          calar a boca  

                          fechar os olhos

                          deserto

                          chacal ( a vida é curta .... 2002)

 



Escrito por chacal às 18h51
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morro de amores

e mordo diamantes

 

e dos cacos de meus dentes sangrando

faço um cordão para enfeitar sua fantasia.

.

.

.

boca roxa 79 / chacal



Escrito por chacal às 09h33
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    ressarcir    

  engendrar   

.

 a toda hora

em todo lugar

nasce uma palavra

.

 - bem vinda !

.

quando perderes o sentido

esvoaça daqui

descansa em paz

......................................

......................................

CHACAL - BELVEDERE 2007

......................................

 

 

 



Escrito por chacal às 23h24
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quinta

                                 p/ miss chipa

quitanda quitada

quinto-me para

(os infernos não !)

quintanamente

cantar

chacal 04/06/09

 

 



Escrito por chacal às 07h56
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um momento

pronto. passou.


outro momento.

pronto. passou.


mais um momento.

de novo. passou.


pra que tanto momento

se você não me sai do pensamento.

 

chacal - 200? / 199?

(p/ miss chipa)



Escrito por chacal às 09h18
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alguma coisa acontece no meu coração

quando chego do rio e desço na consolação

e ali na esquina da paulista com a rua augusta

o relógio marca dez graus às vinte e duas horas

e desço tremendo de felicidade em direção ao centro

vou estar nos braços de quem me aquece por dentro

aqui onde vivo os mistérios dessa superpopulação

que tem acolhido do frio esse funâmbulo cidadão

aprendo a chamar esse sítio de minha cidadela

quando eu desço a augusta e vou me encontrar com ela


 

sampa 02.06.09 / chacal

 

 



Escrito por chacal às 09h18
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